Resistência à insulina: combata ou contente-se com o sobrepeso

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Resistência à insulina: combata ou contente-se com o sobrepeso

24 de abril de 2017
Bruna Pinheiro (CRN 35001)
Nutricionista

resistência à insulina

A resistência à insulina é uma condição na qual a ação da insulina no organismo está comprometida, deixando de funcionar adequadamente.

Quando isso acontece o pâncreas, que é o órgão que secreta a insulina, passa a liberá-la em maior quantidade com o intuito de normalizar os níveis de açúcar no sangue.

O que é insulina?

o que é insulina

A Insulina é o hormônio responsável por controlar os níveis de açúcar no sangue e liberar a entrada de glicose em diversos órgãos e tecidos.

Seu principal papel é regular a quantidade de nutrientes que circulam na corrente sanguínea.

A insulina está relacionada principalmente ao metabolismo do açúcar no sangue, mas ela também pode afetar o metabolismo das gorduras e das proteínas.

A insulina passa pela corrente sanguínea, emitindo o comando para as células absorverem o açúcar, fazendo com que a quantidade de açúcar seja reduzida.

O açúcar dentro das células se transforma em energia, que é usada pelo corpo para realizar as funções do dia a dia ou é estocada na forma de gordura.

Como age a insulina em nosso corpo

como age a insulina em nosso corpo

Os alimentos fontes de carboidratos geram níveis elevados de glicose no sangue, já que todos os carboidratos são convertidos em açúcar após a ingestão.

Quando comemos uma refeição que contém carboidratos, a quantidade de açúcar no sangue aumenta.

Isso é detectado pelas células do pâncreas, que então liberam insulina na corrente sanguínea.

A insulina serve como ‘’chave’’, que permite que a glicose entre nas células. A glicose é principal fonte de energia das células.

Entendendo a resistência à insulina                 

entendendo a resistência à insulina

A resistência à insulina, acontece quando as células se tornam resistentes aos efeitos da insulina.

A insulina passa a não funcionar bem, pois as células precisam de cada vez mais insulina para permitir que a glicose passe entre elas, fazendo com que o açúcar no sangue aumente e a energia nas células diminua.

Contudo, o pâncreas continua produzindo cada vez mais insulina em resposta aos níveis de glicose no sangue, mas o corpo não reage adequadamente.

Muitas vezes as células deixam de responder a presença da insulina, tornando-se resistentes a ação da insulina.

Quando isso acontece, o pâncreas começa a produzir cada vez mais insulina para tentar compensar os níveis de açúcar no sangue, ocasionando a hiperinsulinemia.

O aumento da quantidade de insulina ocasiona em sobrecarga e pode levar o pâncreas a não ser capaz de manter a produção de insulina, danificando as células pancreáticas.

Quando o nível de açúcar no sangue extrapola um determinado limite, o organismo torna-se suscetível a doenças como pré-diabetes, diabetes tipo 2, aterosclerose ou doenças cardíacas e etc.

O que causa resistência à insulina?

o que causa a resistência à insulinaExistem muitas causas potenciais e contribuintes para o desenvolvimento da resistência à insulina. Uma das principais causas é a maior quantidade de gordura no sangue.

Estudos mostram que altas quantidades de ácidos graxos livres, ou seja, pequenas moléculas de gordura no sangue, fazem com que as células, deixem de responder adequadamente a ação da insulina.

Isto pode ser causado pelo acúmulo de gorduras e metabolitos de ácidos graxos dentro das células musculares, interrompendo as vias de sinalização necessárias para que a insulina funcione.

A principal causa do excesso de gordura no sangue está relacionada ao consumo elevado de calorias nas refeições, e o excesso de gordura corporal.

É comprovado que comer em excesso, está diretamente relacionado ao sobrepeso e obesidade, fatores que influenciam na resistência à insulina.

O aumento da gordura visceral, aquela que se acumula em torno dos órgãos na região abdominal, parece estar bastante relacionado com a resistência à insulina.

Este tipo de gordura pode liberar no sangue graxos livres e, até mesmo, liberar hormônios inflamatórios que conduzem à resistência à insulina.

No entanto, se engana quem pensa que somente pessoas com sobrepeso devem se preocupar com a resistência à insulina.

A maior incidência do problema ocorre em pessoas com peso considerado normal. E, acredite, a incidência do problema em pessoas com essas características é muito maior do que em pessoas acima do peso.

Existem várias outras causas potenciais de resistência à insulina:

  • Frutose: estudos vêm comprovando que alta ingestão de frutose (a partir de adição de açúcar, não de frutas) tem sido associada à resistência à insulina, tanto em ratos como em humanos.
  • Inflamação: aumento do estresse oxidativo e inflamação no corpo pode levar à resistência à insulina.
  • Inatividade: a atividade física aumenta a sensibilidade à insulina e a inatividade pode ser um fator associado à resistência à insulina.
  • Microbiota intestinalhá evidências de que um desequilíbrio na flora intestinal pode causar inflamação que exacerba a resistência à insulina e outros problemas metabólicos.

Além disso, outros fatores incluem alta ingestão de açúcar, inflamação, inatividade e genética.

No entanto, as causas listadas acima não são as únicas. Há muitos outros fatores que podem afetar a resistência ou sensibilidade à insulina.

Como saber se você é resistente à insulina

como saber se você é resistente à insulina

Existem diversas maneiras de determinar se uma pessoa é resistência à insulina.

Por exemplo, se os exames indicarem níveis elevados de insulina em jejum é um sinal de resistência à insulina.

Um teste chamado HOMA-IR estima a resistência à insulina por meio dos seus níveis de açúcar no sangue e insulina, e é bastante preciso.

Existem também maneiras de medir o controle de açúcar no sangue mais diretamente, como um teste oral de tolerância à glicose, onde você recebe uma dose de glicose e, em seguida, seus níveis de açúcar no sangue são medidos por algumas horas.

Quando a pessoa está com sobrepeso ou obesidade, e possui grandes quantidades de gordura ao redor da região abdominal, as chances de ter resistência à insulina são grandes.

Outros dois fatores fortemente associados à resistência à insulina são os níveis baixos de HDL (“bom” colesterol) e triglicérides elevados no sangue.

Outro sinal que pode indicar resistência a insulina, é uma condição de pele chamada de Acanthosis Nigrans, envolvendo o aparecimento de manchas escuras na pele.

Resistência à insulina, síndrome metabólica e diabetes tipo 2

resistência à insulina síndrome metabólica e diabetes tipo 2

A síndrome metabólica faz parte de um grupo de fatores de risco associados com diabetes tipo 2, doenças cardíacas e outros problemas como os níveis de triglicerídeos elevados, baixos níveis de HDL, pressão arterial elevada, obesidade central (gordura da barriga) e níveis elevados de açúcar no sangue.

A resistência à insulina também é um dos principais fatores que condicionam o diabetes tipo 2.

Os níveis elevados de açúcar no sangue são causados ​​pelas células que não respondem mais à insulina.

Ao longo do tempo, as células produtoras de insulina no pâncreas podem parar de funcionar, levando à deficiência de insulina também.

Controlando o desenvolvimento da resistência à insulina, pode ser possível prevenir a maioria dos casos de síndrome metabólica e diabetes tipo 2.

A resistência à insulina está ligada à doença cardíaca e diversos tipos de problemas de saúde

resistência à insulina está ligada à doenças cardíaca e diversos tipos de problemas de saúde

A resistência à insulina também está fortemente associada à doença cardíaca, responsável por diversas mortes no mundo.

Na verdade, as pessoas que são resistentes à insulina, ou têm síndrome metabólica, têm um risco 93% maior de desenvolver doenças cardíacas.

Existem muitas outras doenças ligadas à resistência à insulina. Isso inclui doença hepática gordurosa não alcoólica, síndrome do ovário policístico (PCOS), doença de Alzheimer e câncer.

Sintomas de resistência à insulina

sintomas de resistência à insulina

Inicialmente, a resistência à insulina não apresenta sintomas. Os sintomas só começam a aparecer uma vez que leva a efeitos secundários, como níveis mais elevados de açúcar no sangue.

Quando isso acontece, os sintomas podem incluir:

  • Cansaço e fadiga ao longo do dia;
  • Aumento da pressão arterial;
  • Níveis elevados de colesterol;
  • Fome e aumento do apetite;
  • Dificuldade de concentração e falta de atenção;
  • Sonolência após as refeições;
  • Ganho de peso e excesso de gordura corporal.

Se a resistência à insulina se desenvolver em pré-diabetes ou diabetes tipo 2, os sintomas incluirão níveis aumentados de glicose no sangue e sintomas clássicos do diabetes tipo 2.

Maneiras de Reduzir a Resistência à Insulina

maneiras de reduzir a resistência à insulina

A boa notícia sobre a resistência à insulina, é que ela pode muitas vezes ser completamente revertida, através da mudança do estilo de vida.

Algumas formas de reduzir a resistência à insulina:

1. Exercício

Uma das maneiras mais fáceis de melhorar a resistência à insulina, além de apresentar melhora de forma imediata a partir de uma prática de exercícios frequentes;

2. Redução da gordura da região abdominal

A redução da gordura, especialmente a gordura “visceral” da região abdominal é importante;

3. Redução da ingestão de açúcar

Reduzir o consumo de açúcares adicionados, especialmente de bebidas açucaradas como refrigerante.

4. Alimentação saudável

Uma alimentação composta por alimentos integrais, fruta, legumes e verduras e não processados protege o organismo contra doenças;

5. Ácidos graxos ômega-3

Comer ômega-3 pode, em muitos casos ajuda a reduzir a resistência à insulina. Eles também podem diminuir os triglicerídeos do sangue, que frequentemente são altos em pessoas resistentes à insulina.

Inclua nozes e peixes fontes de gorduras boas como o salmão, atum ou sardinha.

6. Sono

Há algumas evidências e que as noites mal dormidas levam resistência à insulina, de modo que a melhora da qualidade do sono deve ajudar.

7. Redução dos níveis de estresse

Quando excessivo, o estresse causa sérios danos à saúde, podendo interferir, até mesmo, na resistência à insulina.

Uma dica de atividade para combate-lo é realizar meditação e outras atividades de relaxamento.

A maioria dos itens na lista também está associado com uma boa saúde, uma longa vida e proteção contra a doença crônicas não transmissíveis.

Dieta Low carb e Resistência à Insulina

dieta low carb e a resistência à insulinaOutro fator que pode estimular a resistência à insulina, são as dietas com baixas quantidades de carboidratos como, por exemplo, a dieta low-carb.

A dieta low-carb atua positivamente nos mecanismos de regulações hormonais reduzindo o nível de açúcar no sangue e prevenindo a resistência à insulina, fazendo com que, dessa forma, se reduza também as chances de se adquirir diabetes tipo 2.

Conclusão

A resistência à insulina atualmente pode ser considerada um dos principais fatores impulsionadores de diversas doenças crônicas.

Conclui-se que a resistência à insulina pode ser melhorada de forma significativa com a mudança de estilo de vida como, por exemplo, a prática de atividade física regular, a adoção de uma alimentação equilibrada, através da ingestão de nutrientes e vitaminas essenciais o que levará, também, a uma redução do excesso de gordura corporal.

Ao prevenirmos a resistência à insulina, estimulamos a qualidade de vida e uma vida mais plena e saudável.


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