Microbiota intestinal: como o uso indiscriminado de aditivos alimentares estão matando as bactérias boas do nosso intestino

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Microbiota intestinal: como o uso indiscriminado de aditivos alimentares estão matando as bactérias boas do nosso intestino

3 de abril de 2017
Ana Carolina Rocha (CRN3 - 48025)
Nutricionista

microbiota

Microbiota intestinal são micro-organismos que vivem em nosso intestino de maneira simbiótica, ou seja, tanto nós, quanto esses micro-organismos se beneficiam dessa colonização.

Além da microbiota intestinal, existem diversas outras microbiotas em nosso corpo que também têm função simbiótica para nosso organismo.

Como surgem esses micro-organismos em nosso intestino?

Ao contrário do que muitos pensam, a microbiota não nasce conosco, pois nosso intestino é estéril durante o período gestacional.

Ela surge ao longo do primeiro ano de vida. É nesta fase que ela começa a colonizar nosso intestino.

Os tipos de micro-organismos que irão se proliferar sofrem influência direta do período gestacional, parto e dieta do bebê nos primeiros 12 meses após o nascimento.

Depois, com o passar dos anos, irão prevalecer micro-organismos conforme nossos hábitos alimentares, estilo de vida e idade.

Microbiota intestinal ao longo da vida

Nossa microbiota sofre modificações em sua composição devido ao nosso envelhecimento.

Quando criança temos a prevalência de bactérias do gênero bifidobacterium, relacionadas a melhor digestão de leite entre outras funções. Com nosso envelhecimento, os níveis dessa bactéria vão diminuindo e dando lugar às do gênero firmicutes, relacionadas à diminuição do colesterol entre outras funções.

“É possível controlar essas modificações?” Sim! É possível graças ao uso de probióticos, os quais podemos determinar que tipos iremos consumir e assim aumentar a quantidade de bactérias, de acordo com o benefício que elas podem fornecer para nós.

Como nos beneficiamos da relação com a microbiota?

como nos beneficiamos da relação com a microbiota

Boa parte das microbiotas intestinais são bactérias de diversas espécies, estima-se entre 500 a 1.000 variações, e cada uma traz um tipo de benefício que varia conforme nossa alimentação, estilo de vida e os medicamentos que ingerimos.

Dentre os benefícios que as bactérias nos proporcionam estão: produção de colesterol bom (HDL), melhora a digestão de alimentos, na produção e absorção de nutrientes, perda de peso, diminuição da resposta de doenças alérgicas do trato respiratório entre outros que podem favorecer nossa saúde de maneira integral. Mas o benefício mais importante dessa simbiose é que a microbiota intestinal faz parte de nosso Sistema Imune.

Nós nos beneficiamos delas quando propiciamos um ambiente favorável ao seu desenvolvimento, para que elas produzam substâncias que serão absorvidas em nosso intestino, ou quando elas reforçam nossa barreira imunológica.

Microbiota intestinal e o sistema imune

microbiota intestinal e o sistema imune

A microbiota intestinal atua em conjunto com a barreira física do intestino e células diferenciadas do sistema imune, evitando a entrada e proliferação de agentes infecciosos.

Além disso, exerce controle da quantidade de bactérias maléficas presentes no intestino, que produzem toxinas que podem ser absorvidas por nossa mucosa intestinal – caso nossa imunidade esteja baixa provocando o surgimento de doenças, muitas vezes, não relacionados ao nosso intestino, como por exemplo, as neurodegenerativas Parkinson e Alzheimer.

As bactérias benéficas que farão a proteção de nosso organismo são modificadas ao longo da vida, de maneira proposital ou não.

Essa mudança afeta a forma como nosso sistema imune irá atuar, facilitando ou diminuindo a absorção de determinados nutrientes, que irá impactar na doença que queremos prevenir ou até mesmo tratar.

Por ser a porta de entrada para diversas substâncias em nosso organismo, o sistema imune de nosso intestino é crucial para a modulação de nossa saúde. Vamos agora entender um pouco mais do porquê manter nosso intestino saudável.

Disbiose intestinal – o desequilíbrio

disbiose intestinal

Além de bactérias boas, nosso intestino também abriga bactérias patogênicas – que, em pouca quantidade, não irá nos trazer malefícios.

Infelizmente, alguns de nossos hábitos alimentares, estilo de vida e uso de alguns medicamentos causam um desequilíbrio entre as quantidades de bactérias benéficas e patogênicas, fazendo com que a segunda prevaleça, e esse quadro nós chamamos de Disbiose Intestinal.

Quando temos Disbiose nosso intestino apresenta pontos de inflamação, que diminuem a função Imune de nosso intestino, deixando-nos susceptíveis a ficarmos doentes.

Entre as doenças já associadas à Disbiose estão: diabetes tipo 2, obesidade, carência de nutrientes, hipercolesterolemia, doenças inflamatórias, doenças cardiovasculares, câncer e inclusive doenças neurológicas.

Infelizmente, por ainda estar sendo estudada, a Disbiose muitas vezes demora para ser identificada e tratada nos indivíduos, levando ao desenvolvimento de doenças secundárias.

Sintomas da disbiose intestinal

Alguns dos sintomas da disbiose intestinal são: refluxo, gases, cólicas intestinais, distensão e dor abdominal, constipação intestinal, diarreia, muco ou sangue nas fezes, dores de cabeça, baixa imunidade e fadiga.

Se estiver apresentando mais de um sintoma e sua alimentação favorecer a disbiose intestinal, é importante procurar um profissional da saúde para que este faça um diagnóstico de seu caso.

Mas afinal, quais hábitos alimentares causam a disbiose?

hábitos alimentares que causam disbiose

A alimentação é a principal influência na composição da microbiota intestinal. Alimentos com elevados teores de gorduras, carboidratos simples, excesso de carne vermelha, excesso de leite e derivados, aditivos alimentares e, inclusive a mastigação inadequada, podem favorecer o desenvolvimento de bactérias patogênicas.

Alimentos ultraprocessados, além de quantidades excessivas de açúcares e gorduras, possuem outros aditivos alimentares com função de aumentar a validade do produto, garantir cor, textura, odor e sabores artificiais ao mesmo.

Esses aditivos alimentares são reconhecidos pelo nosso corpo como agentes estranhos ao organismo e, a primeira linha de defesa encontra-se no intestino.

Como agravante, as bactérias patogênicas se beneficiam desses compostos. Se em nosso hábito alimentar temos o costume de ingerir esses ultraprocessados em excesso, não fazendo um equilíbrio com alimentos in natura, o acúmulo de aditivos alimentares em nosso corpo causa o desequilíbrio em nossa microbiota intestinal (disbiose), prevalecendo as bactérias patogênicas.

O Guia Alimentar para a População Brasileira incentiva o consumo de alimentos in natura em detrimento de alimentos processados e ultraprocessados para manter um hábito alimentar saudável.

Em relação à mastigação, quando se engole um pedaço de alimento que não foi suficientemente mastigado, não se é possível fazer a completa digestão do mesmo, e quando este chega ao intestino, as bactérias passam a fermentar este alimento e o mesmo entra em decomposição.

O uso indiscriminado de antibióticos também tem influência sobre a microbiota intestinal, já que, por serem bactérias também são afetadas pelo uso do medicamento.

Para controlar a situação, após o término do tratamento com medicamentos é importante fazer o consumo de probióticos que irão colonizar o intestino de maneira benéfica.

Probióticos, Prebióticos e Simbióticos – Como nos beneficiam?

probióticos, prebióticos e simbióticos

Probióticos são bactérias vivas que conferem algum tipo de benefício quando consumida, pois aumentam o número de bactérias benéficas ao corpo.

Eles podem ser encontrados em cápsulas e sachês de maneira concentrada – disponíveis em fórmulas prontas ou manipuladas, ou então em alimentos como leite fermentado, iogurtes, queijos, Kefir e o Kombucha.

Aqui no blog Geração Fit temos um artigo específico falando sobre o Kefir e um sobre o Kombucha, vale a pena conferir e saber um pouco mais sobre esses alimentos e seus benefícios.

Prebióticos são as fibras alimentares e têm a função de alimentar as bactérias do nosso intestino, ajudam na redução da absorção do colesterol dos alimentos, aumenta a massa fecal e melhora a absorção de minerais.

Eles não são vivos e nem são absorvidos pelo corpo, portanto sua ingestão está ligada às modulações que causam no nosso trato gastrointestinal e consequentemente em nossa saúde.

Alguns exemplos de prebióticos são: Fruto-ologosacarídeos (FOS), a Pectina, as Ligninas e a Inulina. Em nossa alimentação esses prebióticos são encontrados nos alimentos integrais, nas frutas (principalmente na casca) e hortaliças (verduras e legumes), que se ingeridas nas quantidades recomendadas para uma alimentação saudável, é suficiente para uma modulação positiva de nossa microbiota.

Simbióticos são a junção de probióticos + prebióticos, encontrados na forma de cápsulas ou sachês – também disponíveis em fórmulas prontas ou manipuladas.

Seu maior benefício está na praticidade de ingerir ambos e garantir o aporte de prebióticos necessários para o desenvolvimento saudável do probiótico que está consumindo.

Uma das contribuições mais importantes do consumo dos alimentos com probióticos e prebióticos é na melhora da constipação intestinal.

Este é um quadro muito comum na população, devido aos maus hábitos alimentares associados à baixa ingestão de água, que dificultam o processo de formação de fezes e, ainda, podem causar a produção excessiva de gases.

O consumo regular de probióticos incentiva o movimento natural do intestino e aumenta o volume da biomassa fecal, facilitando assim sua excreção.

Para escolher o probiótico que beneficie sua saúde em situações específicas, é importante consultar um profissional da saúde que irá identificar quais as necessidades que estes micro-organismos podem lhe ajudar.

O consumo regular de prebióticos e alimentos que contenham probióticos colaboram para a manutenção de uma microbiota intestinal saudável e assim previnem uma possível disbiose.

Conclusão

Nossa microbiota tem papel fundamental em nossa saúde, especialmente relacionado à nossa imunidade.

Mas, por ela ser sensível, precisamos ficar atentos à nossa alimentação e estilo de vida que podem interferir negativamente no crescimento das bactérias benéficas presentes na microbiota.

O consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, feito com aditivos alimentares, associado ao baixo consumo de alimentos in natura traz malefícios no desenvolvimento da microbiota e a longo prazo pode causar Disbiose Intestinal e outras doenças de ordem sistêmica.

Para controlar os danos causados, o uso de probióticos, prebiótios e simbióticos se fazem complementares à uma mudança de hábitos, e assim garantir o bom funcionamento intestinal e de nosso sistema imune.


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