IMC: saiba porque o método é um tremendo erro para avaliação da composição corporal

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IMC: saiba porque o método é um tremendo erro para avaliação da composição corporal

4 de julho de 2016
Patricia Bombardi (CREF 100563-G/SP)
Educadora Física

IMC

O IMC (Índice de Massa Corporal), tido, ao longo de anos, como o melhor método para avaliar se o peso e níveis de gordura corporal estavam dentro do recomendado pela Organização Mundial de Saúde, já não é mais o método mais indicado.

Olá meninas, hoje é dia de avaliação física (AF)! Tem alguém aí? Sobrou alguma interessada em fazer e saber como está esse corpinho que te carrega para todos os cantos?

É só avisar na academia, que é dia de AF que não sobra uma mulher para contar história. E nem vem com aquele papo que você fez o cálculo do IMC (Índice de Massa Corporal) em algum site ou em consulta nutricional e já sabe o resultado e não foi do jeito que esperava te deixando, irritada, chateada ou preocupada.

Não fuja da avaliação física se quiser obter resultados com os seus treinos.

Chegou a hora de mostrar o porquê não devemos confiar cegamente nessa avaliação e saber qual a melhor opção para uma avaliação mais precisa.

História do IMC

O IMC foi inventado em 1832, pelo cientista, matemático e astrônomo belga Lambert Adolphe Jacques Quetelet para determinar o peso ideal de uma pessoa. Foi reavaliado por Ancel Keys e, essa formula ficou conhecida como a melhor forma de avaliar os níveis de gordura corporal.

Porém, a fórmula era limitada pois utilizava somente o peso, ao invés da composição corporal. No entanto, isso não impediu que o método tornasse padrão internacional, quando os Estados Unidos lançaram uma iniciativa para promover a alimentação saudável e exercício físico.

Na década de 1990 a Organização Mundial da Saúde (OMS), definiu que um IMC entre 25 e 29 é considerado sobrepeso e, acima desse valor Obesidade.

Devido ao método ser considerado, até então, o melhor indicativo de saúde, antigamente toda boa revista de dieta, tinha um cantinho com a fórmula para que as leitoras pudessem fazer o cálculo.

Como calcular o IMC

O cálculo do IMC é bem simples, basta dividir o peso (em Kg) pela altura (em metros) ao quadrado:

IMC =  peso (kg)
 altura (em metros)2

Somente a título de curiosidade, visto que esse método não é o mais indicado, veja na tabela abaixo, os níveis de IMC e suas respectivas classificações.

Tabela do IMC

Porque o IMC não é o método mais indicado: análise prática

Analise prática IMC

Analisando a imagem acima, podemos notar que as duas mulheres possuem exatamente a mesma altura, peso e IMC, porém o percentual de gordura das duas é bem diferente. A mulher da direita está com um baixo percentual, enquanto a da esquerda, um percentual considerável.

O problema do método IMC é exatamente este, ele não leva em consideração de que constitui a massa corporal: se gordura ou massa magra, tornando-se, desta forma, um cálculo falho, pois trata todos os indivíduos da mesma forma.

O IMC é um método criado para população em geral. Ao ser utilizado na avaliação individual de praticantes de atividade física resistida como, por exemplo, a Musculação, o resultado, muitas vezes, não reflete a realidade, pois não leva em consideração a massa muscular.

Existe muita “magra” por aí com o mesmo percentual de gordura de quem está acima do peso. Daí vem a famosa expressão “falsa magra”, pessoas que possuem gordura corporal bem distribuída e que, muitas vezes, têm os mesmos problemas de saúde de pessoas obesas.

Para termos uma ideia, foi feito um estudo onde os pesquisadores do Centro Americano de Controle e Doenças, analisaram os dados de 1.393 pessoas que tiveram tanto o IMC, como percentual de gordura calculados. Os resultados mostraram que na maioria dos casos, a conclusão é a mesma. Porém, 39% não foram considerados obesos devido ao IMC e, sim pelo percentual de gordura.

Avaliação da composição corporal por Bioimpedância

Bioimpedância: avaliação da composição corporal

A diferença entre a avaliação feita pelo IMC e a Bioimpedância (exame realizado por aparelho que avalia, em detalhes, a composição corporal), está no resultado apresentando.

É um método que permite saber, exatamente, qual a quantidade de massa magra e gordura no corpo, recomendado principalmente para quem tem objetivo de ganhar ou perder peso.

É feita através de um aparelho próprio, no qual a avaliada posiciona os pés corretamente no aparelho e segura com as duas mãos hastes eletrônicas. Feito isso, são transmitidas pequenas correntes elétricas às extremidades do seu corpo, mãos e pés, permitindo, desta forma, obter dados precisos sobre a composição corporal.

Avaliação da composição corporal por Adipômetro – Antropométrica

Avaliação da composição corporal por Adipômetro

Esse é o método da famosa beliscadinha, feita com aparelho similar a uma pinça. É realizado nas seguintes partes do corpo: Tríceps, Supra ilíaca, Coxa, Abdômen, Subescapular, Axilar média e Peitoral.

Através da medição da gordura em cada uma das partes, o professor, por meio de fórmulas, verifica o percentual de gordura total.

Para uma aferição mais precisa, o ideal é que seja feito sempre com o mesmo avaliador. Apesar das regiões corpóreas avaliadas serem determinadas por um protocolo, podem haver pequenas diferenças quando feitos por avaliadores diferentes.

Conclusão

Conclui-se portanto, os dois métodos acima detalhados quando comparados ao IMC são mais fidedignos, e completos e pois nos trazem uma gama muito maior de informação.

Mesmo o IMC demonstrando que uma pessoa esteja na faixa normal esta, pode vir a ter complicações de saúde, caso o percentual de gordura esteja acima do recomendado.

É importante ainda ressaltar que, em se tratando de Avaliação Física, de uma forma holística, não podemos nos basear somente em um método para determinar a condição e condicionamento físico.

Há também outras formas de avaliação que extrapolam os níveis de composição corporal, mas que são igualmente importantes como, por exemplo, o cálculo da FCM (frequência cardíaca máxima) e VO2 máximo (capacidade máxima de transporte e metabolização do oxigênio durante um exercício físico).

Portanto meninas, não fuja da avaliação e use todos os resultados a seu favor. Só assim será possível fazer um comparativo preciso para saber se está melhorando ou não. Dessa forma, seu professor pode fazer os ajustes necessários para que você alcance o tão desejado “bumbum na nuca” e/ou aquela “barriga negativa”.

A Avaliação Física é de extrema importância para ajustes assertivos a cada mudança de treino, e deverá ser realizada a cada 3 meses.

Sempre temos uma novidade e nem tudo o que era conceituado antigamente continua da mesma forma, as pesquisas, metodologias e questionamentos são outros. As novas descobertas são essenciais para nos aprimorar e conhecermos melhor o nosso corpo e do que ele é capaz de fazer e mostrar até onde podemos ir.

O verão está chegando, temos só 5 meses para nos preparar. Contagem regressiva para usar aquele biquíni maravilhoso e passar dias perfeitos na praia ou na piscina. Seja o seu melhor sempre e conte conosco para muito mais novidades e informações. Até a próxima! 😉


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