Hormônio do crescimento (GH): o que é, para que serve e como aumentá-lo naturalmente através da alimentação

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Hormônio do crescimento (GH): o que é, para que serve e como aumentá-lo naturalmente através da alimentação

19 de fevereiro de 2018
Luana Souza (CRN 3 - 27387)
Nutricionista

hormônio do crescimento

Hormônio do crescimento: confira a seguir tudo que você precisa saber sobre, incluindo como aumentar seus níveis naturalmente.

Os ávidos pelo ganho de massa muscular já sabem que o exercício físico regular e uma alimentação adequada são fundamentais para o crescimento muscular.

Contudo, por diversas vezes, buscam chegar ao objetivo através da regulação hormonal que, ao contrário do que muitos pensam, pode e deve ser feita naturalmente através da alimentação.

É muito comum ouvir falar sobre o hormônio do crescimento, muito utilizado para ganho de estatura. Será que ele também é essencial para o crescimento dos músculos?

O que é o hormônio do crescimento?

É um hormônio produzido pelo próprio corpo por uma glândula chamada hipófise, situada na base do crânio.

Ele está presente em todas as pessoas normais e é conhecido por GH, sigla derivada do termo inglês growth hormone, bem como pelos nomes somatotropina ou hormônio somatotrófico.

A regulação de sua secreção é feita via hipotálamo, o qual estimula ou inibe alguns fatores que regulam sua produção. O fator liberador de GH e o hormônio chamado grelina são estimuladores de sua secreção, já a somatostina é considerado um fator inibitório, ou seja, reduz sua liberação para o corpo.

Esse triplo controle hipotalâmico favorece a interação com outros eixos hormonais, inclusive os relacionados com o controle alimentar, o que demonstra a importância do hormônio para o organismo.

Para que serve o hormônio do crescimento

para que serve o hormônio de crescimento

O GH age no organismo como um todo promovendo o crescimento das células em geral.

É essencial para a promoção do crescimento estatural durante a infância e, principalmente, durante a adolescência. Sem ele a estatura de um adulto normal não poderia ser alcançada.

Após a puberdade, sua produção cai consideravelmente, uma vez que há menor necessidade pelo organismo devido à estabilidade da altura na fase adulta.

Apesar de sua ação mais conhecida ser o crescimento infantil, tem diversas outras funções durante a vida. De maneira complexa, tem grande influência na composição corporal, na regulação do metabolismo ósseo e no metabolismo dos nutrientes obtidos pela alimentação, como os carboidratos, proteínas e lipídeos.

É um importante fator anabólico por participar da captação de aminoácidos para a formação de proteínas. Com isso, esse hormônio atua no crescimento de todo o organismo, incluindo tecidos, ossos e cartilagens.

Nesse quesito, ele é formador de massa muscular, ou seja, importante no ganho muscular em todas as fases da vida.

Relação entre hormônio do crescimento e o metabolismo

Como o GH participa da regulação do balanço energético no corpo, está totalmente relacionado com o metabolismo.

Ele desempenha papel fundamental na quebra de gordura durante o jejum prolongado, garantindo energia para o organismo em períodos em que a pessoa não está se alimentando.

Por ser capaz de promover a quebra de gordura e o crescimento muscular, ele ganha destaque entre quem deseja ganhar massa.

Distúrbios no hormônio do crescimento

Por todas as suas funções no organismo, é essencial que esteja em níveis adequados, podendo impactar negativamente na qualidade de vida caso esteja abaixo ou acima dos limites saudáveis.

Então, qualquer um pode estar se perguntando: será que tenho disfunção na produção do GH?

Para alguns indivíduos a resposta é sim, mas pode ficar tranquilo, pois disfunções nesse hormônio são facilmente percebidas e com características corporais marcantes, e, na maioria das vezes, começam na infância.

A deficiência na sua produção provoca o nanismo, ou seja, a baixa estatura grave. Já a produção excessiva na infância ou mesmo após a puberdade causa o aumento exagerado do tamanho do corpo, conhecido como gigantismo ou acromegalia.

Portanto, o acompanhamento com um pediatra durante toda a infância é fundamental, pois é o profissional capaz de detectar precocemente qualquer alteração da velocidade de crescimento e interferir na regulação hormonal.

Sua deficiência pode ser esporádica com causas congênitas, adquiridas e idiopáticas, ou ser causada a partir de herança familiar.

Além de causar problemas no crescimento, sua deficiência leva a alterações corporais como aumento da gordura subcutânea e visceral e diminuição da massa magra. Também há mudanças no perfil lipídico, com aumento do colesterol total, LDL (colesterol ruim) e triglicérides e redução do HDL (colesterol bom), além de resistência insulínica.

Por isso, é comum ver características da síndrome metabólica em indivíduos com deficiência de GH no início da fase adulta.

Contudo, essas alterações não vêm sozinhas, estando sempre estarão acompanhadas dos problemas no crescimento. É importante o acompanhamento médico nesses casos.

Deficiência do hormônio do crescimento e a reposição hormonal

deficiência do hormônio de crescimento e a reposição hormonal

O envelhecimento está naturalmente associado à diminuição da produção do hormônio, o que pode contribuir para a perda de massa muscular e óssea e o aumento do acúmulo de gordura que ocorrem com a idade.

Isso não significa que há necessidade de reposição com o passar da idade, mas é importante manter os hábitos saudáveis para não haver mudanças indesejadas na composição corporal.

A reposição de GH deve ser indicada por médico para crianças ou adultos com real necessidade. Nesses casos há um benefício visível, de estatura para crianças e de melhora da capacidade física e de composição corporal nos adultos.

Esse hormônio nunca deve ser utilizado para tratar obesidade ou melhorar o desempenho físico. Em esportes de competição, sua utilização é considerada ilícita e passível de punição.

Hormônio do crescimento versus testosterona

Esses dois hormônios são considerados anabólicos e, portanto, importante para o crescimento/ definição de massa magra.

Apesar de ambos serem responsáveis por características físicas no corpo humano, principalmente na fase da puberdade, eles são produzidos em órgãos diferentes e regulados por fatores orgânicos diferentes.

A preocupação com ambos deve começar na infância e/ou adolescência, para que o corpo atinja a altura esperada e a estrutura muscular. Só é recomendado fazer uso de algum dos dois hormônios se indicado pelo médico após acompanhamento.

Contudo, a alimentação adequada pode ser um incentivo a mais para ajudar na autorregulação desses hormônios em corpos saudáveis.

Alimentação para estimular o GH

A produção do hormônio é feita por uma glândula que não depende especificamente de nenhum nutriente, mas uma nutrição adequada faz o corpo inteiro funcionar adequadamente e estimula a produção natural dos níveis adequados do hormônio.

Para pessoas em tratamento da deficiência do GH, é importante a regulação do valor calórico para prevenir o ganho de peso, por isso o ideal é buscar por um nutricionista.

Para quem está buscando otimizar a produção natural do hormônio ao longo da vida, é necessário garantir adequado aporte energético e protéico e consumir alimentos ricos em vitaminas e minerais.

5 dicas de como estimular naturalmente a produção do hormônio do crescimento através da alimentação

5 dicas de como estimular naturalmente a produção do hormônio de crescimento através da alimentação

1. Perceba a sua fome: controle a produção da grelina

Como a grelina é um estimulador da produção do GH, é importante mantê-la em níveis adequados. Ela é conhecida como o “hormônio da fome”, ou seja, quando o estômago fica vazio, a secreção é aumentada para dar a sensação de fome e nos estimular a comer.

Isso não significa que é bom ficar sem comer para estimulá-la, pois a privação de comida causa uma certa “bagunça” na produção dos hormônios relacionados à fome/ saciedade, com picos e quedas drásticas.

Não existe um método exato para controlar a grelina, pois é um hormônio auto-ajustável e não “mandamos” no nosso metabolismo. Todavia, para manter o corpo produzindo-a em os níveis ideais, a principal ferramenta é comer.

Isso significa respeitar os sinais do corpo, comer quando se tem fome e parar quando se sentir saciado, tentando entender quando ele dá sinais de saciedade e evitando o comer por “gula”. Evite também fazer dietas restritivas ou ficar longos períodos sem se alimentar.

2. Reduza o consumo de açúcar

Que açúcar não faz bem à saúde todo mundo sabe, mas na relação com o GH temos um motivo ainda maior para evitá-lo.

Açúcar ou outros carboidratos simples como pães ou outros alimentos a base de farinha branca fornecem glicose rápida para o sangue e aumentam a produção da insulina. A hiperglicemia reduz a produção do GH, portanto o consumo desses alimentos deve ser moderado e equilibrado.

3. Evite comer muito antes de dormir

A produção do GH é feita especialmente no período do sono. Como toda refeição volumosa vai gerar uma quantidade significativa de glicose, alguns especialistas sugerem comer refeições mais leves no período noturno, que antecede o sono.

4. Aumente o consumo de zinco

Esse é um mineral importante que participa de uma variedade de processos celulares como cofator para inúmeras enzimas e da produção de proteínas e de material genético para a replicação celular, além de influenciar a regulação hormonal do GH. Tanto que suas necessidades e retenção aumentam significativamente durante o estirão. Por isso é essencial manter um consumo dietético adequado do mineral.

Fontes alimentares de zinco incluem ostras e frutos do mar ou carnes vermelhas, peixes ou aves. Outros alimentos são castanhas, semente de abóbora, leite, cereais integrais e feijões. Vale lembrar que, nas proteínas de origem animal, há uma melhor absorção do mineral.

5. Garanta a ingestão de vitamina A

Essa vitamina está envolvida com a secreção noturna do GH, portanto seu consumo diário é importante.

Uma boa forma de obtê-la é ingerindo alimentos amarelados ou alaranjados ou ainda os vegetais verdes-escuros, ricos em carotenoides que, por sua vez, se convertem em vitamina A no organismo. Invista em manga, mamão, goiaba vermelha, cenoura, espinafre, chicória, couve etc.

Conclusão

O hormônio do crescimento é um importante fator de crescimento, principalmente durante a puberdade. Sua principal função é promover a estatura normal dos indivíduos, mas tem sido alvo de interesse por ser um hormônio anabólico, promovendo ganho de massa muscular.

Na vida adulta, ele tende a reduzir naturalmente. Uma boa maneira de mantê-lo em níveis normais para essa fase de vida é manter uma alimentação saudável e de qualidade, com alimentos variados, procurando por aqueles mais naturais e menos ultraprocessados.


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