Tudo que você precisa saber sobre a fosfatidilcolina, substância que protege o fígado e ajuda na diminuição dos níveis de colesterol

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Tudo que você precisa saber sobre a fosfatidilcolina, substância que protege o fígado e ajuda na diminuição dos níveis de colesterol

10 de abril de 2017
Luana Souza (CRN 3 - 27387)
Nutricionista

fosfatildicolina

Fosfatidilcolina. Aparentemente um nome estranho e, por isso, talvez você esteja se perguntando: “- Afinal, para que serve essa substância?”.

Então vamos conhecer um pouco mais sobre ela e entender como ela age no nosso corpo, protegendo nosso fígado e ainda auxiliando na perda de medidas.

Fosfatidilcolina: o que é?

É um fosfolipídeo, também conhecido como lecitina. Na prática, a lecitina consiste em um combinado de fosfatidilcolina e outros composto, porém esses dois termos podem ser usados como sinônimo.

De todos os fosfolipídeos, é o mais comumente encontrado no corpo humano e predominante na maioria das células, constituindo mais de 50% dos que compõem as membranas celulares.

Fosfatidilcolina: onde encontrá-la e como se dá a síntese da substância

fosfatidilcolina onde encontrar

Na membrana das células, ela é encontrada em grande concentração combinada a proteínas, facilitando a passagem de gorduras, entre outras funções, que veremos a seguir.

É uma molécula sintetizada pelo fígado e também encontrada em alimentos e na forma de suplementos em cápsulas.

A lecitina não é um nutriente considerado essencial, uma vez que o organismo produz naturalmente a quantidade necessária para o corpo, mas é importante obtê-la pela alimentação, principalmente em casos específicos.

A sua biossíntese é feita a partir de um precursor chamado colina, um componente dietético necessário para a função normal de todas as células.

A colina e seus metabólitos, incluindo fosfolipídeos e acetilcolina, asseguram a integridade estrutural e funções sinalizadoras das membranas celulares.

Mas, afinal, qual a função da fosfatidilcolina?

Esse fosfolipídeo apresenta um importante papel na absorção intestinal de lipídios, ou seja, gorduras.

Ele aumenta a solubilidade das micelas de gordura formando quilomicrons, que são considerados meios de transporte dos lipídeos entre a mucosa intestinal e as células.

Portanto, é considerada um composto intermediário no metabolismo de gorduras, juntamente com outros nutrientes.

Por ser fonte de colina, também é importante para a manutenção das funções cerebrais, uma vez que a colina é um neurotransmissor importante.

Existem poucas evidências que fazem essa relação direta, contudo, essa substância pode auxiliar no bom funcionamento das células nervosas se consumida regularmente, resultando em melhora da memória e concentração a longo prazo.

Fosfatidilcolina e sua contribuição para diminuição dos níveis de colesterol

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A fosfatidilcolina é também é formadora de lipoproteínas de alta densidade, conhecidas como HDL (High Density Lipoproteins).

O HDL é chamado de “colesterol bom” por estar envolvido no processo de transporte reverso de moléculas de colesterol, transportando-as para o fígado para serem metabolizadas ou excretadas.

Sendo uma substância essencial para o processo de formação de HDL, tem um potencial protetor na aterosclerose, uma vez que essa molécula é capaz de retirar o excesso de colesterol livre das membranas celulares e do próprio endotélio, ou seja, a placa aterosclerótica.

Também é coadjuvante na secreção de lipoproteína de muito baixa densidade (VLDL) pelo fígado, a qual participa do transporte de triglicerídeos do fígado para os vasos sanguíneos.

Ademais, é um emulsificante essencial para o processo de solubilização da bile, liberando o colesterol biliar que é a principal fonte do colesterol absorvido.

Portanto, a lecitina pode atuar melhorando o perfil lipídico e representa um tratamento alternativo para indivíduos com dislipidemias, principalmente quando associada à dieta com baixo teor de gorduras.

Principais fontes de fosfatidilcolina

fontes fosfatidilcolina

Os principais alimentos fontes naturais desse nutriente são: soja, gema do ovo, amendoim, fígado e trigo.

Também pode ser encontrada em produtos alimentares industrializados, adicionada a eles por ter propriedades emulsificantes. É o caso de margarinas, bolachas ou outros alimentos ultraprocessados.

É também encontrada em produtos em pó como a lecitina de soja.

A lecitina obtida pela dieta passa pelo processo de digestão antes de ser absorvida, no qual pode haver perdas e absorção parcial.

Portanto, os suplementos, tanto em cápsulas, como a lectina de soja, têm menor valor comparado à síntese pelo próprio organismo. 

Fosfatidilcolina e sua relação com o fígado

fosfatidilcolina e o fígado

O nosso fígado apresenta alto metabolismo e reprodução celular, utilizando grande quantidade de matéria-prima para sua reconstrução, primordialmente quando há uso crônico de álcool ou medicamentos que são metabolizados por esse órgão.

É dele o trabalho principal de produzir as enzimas que absorvem o etanol das bebidas alcoólicas, gerando um desequilíbrio no fígado e organismo quando há consumo excessivo.

Como forma de auxiliar na função hepática, o uso de fosfatidilcolina pode ser benéfico para doenças onde há lesão hepática.

São doenças como: hepatite alcoólica, cirrose, esteatose hepática, hepatites B e C e intoxicação medicamentosa.

Alguns pesquisadores testaram a hipótese de que a suplementação poderia atenuar o aumento da produção de radicais livres produzidos em indivíduos que fazem consumo abusivo de álcool, hábito que poderia levar a hepatotoxicidade e esteatose hepática.

Os achados mostram que essa suplementação tem ação preventiva na progressão do acúmulo de gordura no fígado, desde que associada a outras substâncias antioxidantes.

Sua função como colaboradora na síntese de uma substância chamada glutationa também auxilia no tratamento das desordens hepáticas.

Pode-se avaliar com o médico o uso dessa substância de forma preventiva quando há uso abusivo de álcool ou medicamentos contínuos que utilizem a via hepática para metabolização.

Essa avaliação precisa ser individual e a prescrição com indicação médica.

Influência no tecido adiposo: como a deficiência de fosfatidilcolina supostamente afeta a perda de medidas

deficiência de fosfatidilcolina e perda de medidas

Uma vez que esse nutriente faz parte do metabolismo das gorduras, sua deficiência poderia afetar o catabolismo de lipídeos, reduzindo células adiposas e, consequentemente tecido gorduroso.

Entretanto, baseado nas evidências científicas produzidas até o momento, não está claro se a suplementação resultaria em maior catabolismo de lipídeos e perda de massa gorda.

Essa substância vem sendo utilizada com aplicação injetável em clínicas estéticas com objetivo de redução de gordura localizada e tratamento estético, porém falta embasamento científico para seu uso nesses casos.

Assim, não é possível assegurar sua real eficácia para tratamentos estéticos, uma vez que ainda não se tem conhecimento de possíveis efeitos colaterais a longo prazo.

O produto comercializado com essa finalidade, denominado Lipostabil, não possui registro na ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e não tem o uso liberado pelo FDA (Food and Drug Administration) nos Estados Unidos.

O próprio laboratório fabricante da substância reconhece que não existem estudos científicos que comprovem a eficácia e a segurança do produto na dissolução de gordura localizada.

Portanto, se o objetivo é o emagrecimento e perda de medidas, o mais indicado é promover a quebra de massa gordurosa através da redução do fornecimento de energia para o corpo em comparação com o gasto energético.

Esse processo é chamado de balanço energético negativo e é obtido por meio do aumento na atividade física bem como alimentação saudável e adaptada ao organismo.

Conclusão

 A fosfatidilcolina, também conhecida como lecitina, é um fosfolipídeo com função essencial na absorção de gorduras pelo organismo.

É um nutriente não essencial, ou seja, produzido naturalmente pelo corpo, mas pode ser encontrado em diversos alimentos, principalmente na soja e gema de ovo, ou suplementos.

Há evidências científicas que mostram uma ação hepatoprotetora, podendo ser indicado o uso para prevenção dos efeitos causados pelo uso abusivo do álcool ou por medicamentos que se metabolizam no fígado, quando utilizados a longo prazo.

Pode ser considerada um tratamento alternativo para indivíduos com dislipidemias se estiver associada à dieta hipolipídica, uma vez que influencia na formação do HDL, o chamado “colesterol bom”.

Com o objetivo de reduzir gordura corporal, algumas clínicas vêm utilizando essa substância como tratamento estético, porém essa prática não é reconhecida como eficaz e não há registro na ANVISA.

A maneira mais eficiente de perder medidas continua sendo a mudança de hábitos alimentares e prática de atividade física regular.


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