Estufamento abdominal: como identificar causas e o que fazer para evitar

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Estufamento abdominal: como identificar causas e o que fazer para evitar

11 de março de 2019
Aline Marques (CRN3 - 46439)
Nutricionista

estufamento abdominal

estufamento abdominal traz uma condição de desconforto e está, na maioria das vezes, relacionado exclusivamente à alimentação

Além do mal-estar físico, a situação pode causar uma baixa autoestima por muitas vezes ser confundido com um excesso de peso, além da insatisfação corporal quando aquela barriguinha fica marcada na roupa.

A condição não representa, necessariamente, um problema grave de saúde. O inchaço pode ser associado tanto a hábitos alimentares, a situações de estresse emocional ou ser sintoma de alguma desordem intestinal.

Assim, é importante que a causa real seja identificada pois pequenas mudanças de hábitos já podem solucionar o problema. 

Causas do estufamento

causas do estufamento

Excesso de gases

É a causa mais óbvia do estufamento. A produção de gases pelo corpo é mais comum nas pessoas que não mantém uma prática regular de exercício físico e exageram no consumo de bebidas gaseificadas e também de alimentos crucíferos (brócolis, couve-flor, repolho) e de difícil digestão (feijões, batatas).

Intolerâncias e sensibilidades alimentares

Um dos principais sintomas de quem possui intolerância à algum alimento é o desconforto e estufamento abdominal, isso porque o organismo do intolerante não realiza uma digestão eficiente do alimento.

Em casos de sensibilidade ao alimento, os sintomas de inchaço e distensão abdominal podem demorar um pouco mais a aparecer, pois a reação depende da resposta do sistema imunológico ao agente agressor.

Infecções por parasitas intestinais

Ocorrem devido à ingestão de alimentos contaminados por ovos de micro-organismos patológicos. A condição está associada à hábitos de higiene tanto pessoal como na manipulação e preparo de alimentos. Os sintomas das infecções envolvem, na maioria das vezes, dores e inchaços abdominais.

Má digestão

A má digestão pode decorrer de vários fatores tanto relacionados ao hábito na hora da refeição como também relacionados a situações físicas e emocionais. Ela gera um desconforto e uma sensação de estufamento que pode se estender por todo o trato gastrointestinal. 

Hábitos como mastigar muito rápido e ingerir grandes quantidades de alimento levam ao quadro de estufamento e distensão do estômago e intestino.

Além disso, a má digestão resultará numa má absorção de nutrientes, o que também contribui para o inchaço, uma vez que impede o bom funcionamento do organismo;

Excesso de fibras

excesso de fibras

Quando a ingestão não está associada a um consumo adequado de água, o excesso de fibras no organismo pode causar uma série de desconfortos, como o inchaço e a constipação.

Excesso de carboidratos refinados

Alimentos com muito carboidrato em sua composição não apresentam uma boa digestão e os seus resíduos sofrem no organismo o processo de fermentação que culmina na produção de gases. Quando em excesso, esse processo aumenta tanto os gases como a sensação de desconforto pelo estufamento.

Patologias do sistema gastrointestinal

Algumas doenças trazem a sensação de estufamento como sintoma. Dentre elas estão a síndrome do intestino irritável, gastroenterite aguda, insuficiência pancreática, intolerância (lactose e glúten), câncer de estômago.

Consumo de comida reaquecida

O consumo de comidas reaquecidas, principalmente de preparações que contenham muito amido, pode também causar estufamento abdominal. Isso porque o reaquecimento promove uma alteração na estrutura da molécula e a deixa mais resistente ao processo digestivo, gerando gases e inchaço.

Como evitar os sintomas do estufamento abdominal

Algumas medidas simples relacionadas aos hábitos alimentares podem auxiliar no alívio e na prevenção doestufamento abdominal

O primeiro passo é identificar a causa do estufamento. Manter um diário alimentar no qual se anote todos os alimentos consumidos pode ser útil na identificação de algum alimento específico que cause o inchaço.

Pode ainda ser útil na identificação de alguma condição patológica, seja alguma doença do trato gastrointestinal ou uma sensibilidade e/ou intolerância alimentar.

Em relação aos hábitos diários, o estufamento pode ser evitado:

  1. Com a prática de atividade física: mexer o corpo faz com que diminua a produção de gases que causam o estufamento;
  2. Adoção de hábitos alimentares mais leves: ou seja, optar por preparações que não contenham elevado teor de gordura e carboidratos refinados;
  3. Melhorar a mastigação: quando se mastiga lentamente, o sistema gastrointestinal apresenta uma digestão mais eficiente, além disso, o organismo consegue ter tempo de criar uma comunicação entre o cérebro e os órgãos digestivos, possibilitando que a sensação de saciedade seja percebida;
  4. Fracionar as refeições do dia em porções menores: quando falamos em aumentar as refeições do dia, imediatamente pensamos que iremos comer mais. No entanto, quando comemos mais vezes, as porções tendem a ser menores, pois o sinal de saciedade será menor. Assim, o organismo não ficará sobrecarregado com a digestão e evitará o estufamento abdominal;
  5. Ingestão de água: contribui para o bom funcionamento do organismo como um todo, no entanto, deve-se evitar a ingestão de líquidos junto da refeição, pois assim o estufamento será estimulado;
  6. Consumir fibras: quando associadas a um consumo adequado de líquidos, as fibras promovem uma melhora na digestão e no trânsito intestinal. Com esses processos sendo feitos de maneira eficiente, o organismo estará preparado para receber as seguintes refeições sem que ocorra o estufamento;
  7. No caso de intolerâncias, sensibilidades ou doenças, procurar um profissional habilitado para que o problema seja resolvido. As intolerâncias e sensibilidades não acontecem da mesma forma para todas as pessoas portadoras, por isso a investigação e possível substituição ou restrição à determinado alimento deve ser orientada;
  8. Além de hábitos alimentares, situações como mascar chicletes, respirar pela boca e fumar aumentam a quantidade de ar engolida e leva a um consequente estufamento e inchaço abdominal;
  9. O consumo inadequado de bebidas como cerveja e gaseificadas também promove o estufamento, isso porque, no caso da cerveja, por ser fermentada, eleva a produção de gases e, no caso das gaseificadas, ocorre o aumento da quantidade de ar ingerido.

Alimentos que contribuem para o estufamento

alimentos que contribuem para o estufamento

Como dito acima, alguns alimentos promovem uma maior produção de gases e estimulam o estufamento. Listamos aqui quais são eles:

  • Feijões, ervilhas e leguminosas: apresentam rafinose em sua composição, um oligossacarídeo que não é totalmente digerido pelo organismo e que favorece a fermentação, produzindo gases;
  • Brócolis, repolho, couve e couve-flor (alimentos crucíferos) possuem enxofre que age com as bactérias intestinais, levando à formação dos gases e inchaço;
  • Lactose: é o açúcar do leite, quebrado no organismo pela enzima lactase. Naturalmente no envelhecimento, a quantidade dessa enzima é diminuída no organismo, fazendo com que adultos tenham uma digestão pouco eficiente do alimento. Vale lembrar aqui que o estufamento causado pela lactose nem sempre pode significar uma intolerância e sim uma sensibilidade ou um simples caso de má digestão;
  • Sorbitol: utilizado como adoçante em muitos produtos, contribui para o estufamento e formação de gases. Além do sorbitol, outros adoçantes como xilitol e maltitol, presentes em produtos industrializados, são substâncias fermentativas e levam à formação de gases.
  • Alimentos gordurosos: principalmente os alimentos fritos ou carnes vermelhas possuem uma digestão mais difícil pelo organismo, levando a um maior estufamento abdominal;
  • Alimentos muito condimentados, principalmente os preparados com pimentão, pimentas, alho, mostarda e vinagre. Tais alimentos liberam ácidos e podem irritar e criar uma situação de inflamação no estômago, deixando com a sensação de pesado.

Alimentos que diminuem o estufamento

Da mesma maneira que alguns alimentos contribuem para o estufamento, alguns outros promovem a sua diminuição:

  • Probióticos: eles auxiliam na colonização de bactérias benéficas do intestino, que irão auxiliar nos processos de digestão. No entanto, o uso não deve ser indiscriminado, uma vez que eles podem piorar o quadro de estufamento caso a ingestão seja excessiva;
  • Frutas como abacaxi e mamão possuem enzimas digestivas (bromelina e papaína, respectivamente) que auxiliam na digestão de carnes vermelhas;
  • Erva doce, cardamomo e cominho diminuem sintomas de gases e estufamento;
  • Deixar feijões e leguminosas de molho na água por 12 horas, trocando a água a cada 3 horas e também para o cozimento, alivia a formação de gases por esses alimentos no organismo;
  •  Alimentos com alto teor de água: auxiliam na produção urinária e diminuem a retenção hídrica, reduzindo também o estufamento abdominal originado por esta.

Estufamento e estresse

estufamento e estresse

Tem sido demonstrado que pessoas submetidas à constantes situações de estresse, apresentam um maior estufamento abdominal. 

Ansiedade, depressão, síndrome do pânico e distúrbios do sono são comumente as causas desses desconfortos. Fisiologicamente o organismo passa a agir de forma ineficiente na digestão, gerando o desconforto.

Acredita-se que na maioria dos casos, já exista uma má digestão preexistente e que a angústia e o nervosismo apenas agravem a situação.

De maneira geral, observa-se que em determinadas situações o estresse altera o hábito alimentar, seja na ingestão exagerada de alimentos, que irá exceder a capacidade estomacal, gerando o desconforto ou até mesmo na situação de jejum causada pelo estresse. Nesse caso, por não haver oferta de alimento, o estômago acumula ácido causando irritação e inflamação, contribuindo para o inchaço.

Por se tratar de uma situação psicológica, fica difícil recomendar alguma atitude que vá prevenir ou diminuir o inchaço. O importante é se conhecer e saber quais as consequências que são decorrentes para que assim as refeições possam ser feitas de maneira a diminuir ou evitar os sintomas de estufamento. Comer em locais tranquilos, sem conversas e prestando atenção ao prato são atitudes podem auxiliar nesses casos.

Em períodos de menstruação, a mulher também sofre com a questão do estresse. A fisiologia do processo, por si só, já leva o organismo feminino à uma condição de inchaço, e quando associada à elevada flutuação hormonal do período, a sensação de inchaço e estufamento pode ser maior. 

Alerta: dieta saudável e estufamento

A adoção de uma dieta saudável é erroneamente associada apenas a um consumo de proteínas magras, legumes e vegetais em abundância e zero gordura. No entanto, o excesso desses hábitos saudáveis pode levar à situações de estufamento pelo exagero no consumo de alimentos fibrosos e formadores de gases.

Devemos sempre nos ater ao fato de que a alimentação saudável se baseia no equilíbrio de todos os nutrientes, sem que haja restrição de grupos alimentares, salvo casos de intolerância.

Além disso, o uso de suplementos alimentares, sem uma indicação profissional, principalmente suplementos que utilizam proteínas do ovo em sua composição, ou também a adoção de dietas de emagrecimento que não seguem uma harmonia nutricional, podem promover o aumento da produção de gases e consequente estufamento abdominal.

Por isso, é sempre importante que um profissional nutricionista seja consultado a fim de que o plano alimentar seja personalizado e individualizado para evitar situações adversas.

E se o estufamento for decorrente de doença?

Quando descartada a possibilidade de intolerância ou sensibilidade a algum alimento específico ou a algum grupo de alimentos e a condição de estufamento persistir, é recomendado que se procure um profissional gastroenterologista para que se tenha um prognóstico correto. 

Doenças do trato gastrointestinal são tratadas com medicamentos e também com pequenas mudanças na alimentação. 

Conclusão

Apesar de ser uma condição não tão grave, o estufamento gera desconforto físico e também prejudica a sensação de bem-estar psicológico.

Manter hábitos de vida saudáveis, diminuir a quantidade das refeições e mastigar bem todos os alimentos é sempre a chave para amenizar ou evitar estufamentoe desconfortos abdominais.


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