Compulsão alimentar e ansiedade: como o fator emocional afeta a nossa maneira de se alimentar e, consequentemente, o nosso peso

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Compulsão alimentar e ansiedade: como o fator emocional afeta a nossa maneira de se alimentar e, consequentemente, o nosso peso

2 de Abril de 2018
Ana Carolina Rocha (CRN3 - 48025)
Nutricionista

compulsão alimentar

A compulsão alimentar está diretamente ligada à ansiedade, assim como nossas escolhas alimentares estão em sintonia com nossas emoções.

Nesse artigo vamos entender mais como o fator emocional pode estar influenciando nossa rotina alimentar e, consequentemente, o nosso peso.

O que é compulsão alimentar?

A compulsão, ou transtorno alimentar compulsivo, é um transtorno alimentar que se caracteriza pela ingestão excessiva de alimentos em um curto período de tempo.

Pessoas que sofrem de compulsão alimentar não sentem quando estão saciadas, levando-as a comer até estar desconfortavelmente cheias, com mal-estar ou somente quando a comida disponível acabar.

Está diretamente relacionada com a sensação de perda de controle ao comer e, muitas vezes, são sucedidas de sentimento de culpa após episódios de compulsão.

Para se caracterizar como compulsão, esses episódios, precisam ser frequentes, e não somente esporádicos. Os primeiros sintomas da compulsão alimentar podem surgir a partir do final da infância e início da adolescência.

A ansiedade e nossa alimentação

a ansiedade e nossa alimentação

Quando falamos de escolhas alimentares, a ansiedade nos faz escolher alimentos que nos deem prazer, e estes, invariavelmente, são aqueles em que a composição é maior em carboidratos simples e gorduras.

Alimentos ricos em fibras e água auxiliam no controle da ansiedade. Quando ingerimos doces, inicialmente temos a sensação de prazer, mas em pouco tempo nossa volta devido a rápida liberação de energia deste tipo de alimento.

Com o avanço da indústria de alimentos, o acesso à alimentação ficou mais fácil, mas nosso organismo não se adaptou à essa nova realidade. Uma das consequências dessa disponibilidade excessiva de produtos, é a perda da capacidade de identificar quando nosso corpo está saciado, o que leva à compulsão alimentar e obesidade.

Ansiedade e alterações metabólicas

Hoje a ansiedade e o estresse se tornaram respostas comuns das pessoas aos problemas, frustrações e dificuldades do dia-a-dia.

A ansiedade afeta diretamente nosso metabolismo, alterando a produção e liberação de hormônios, o que afeta a digestão e aumenta a velocidade com que os alimentos “passam” em nosso corpo, diminuindo a absorção de nutrientes.

A ansiedade piora a compulsão alimentar?

Como pessoas com compulsão alimentar já apresentam um descontrole ao se alimentar, a ansiedade é um sintoma que agrava esse descontrole e, por isso, o tratamento também inclui técnicas para relaxamento em momentos de ansiedade.

Causas da compulsão alimentar

  • Dieta restritiva para perda de peso;
  • Fome emocional – após momentos de estresse/tristeza;
  • Insatisfação com a imagem corporal;

As causas podem variar conforme o caso, por isso é importante consultar um profissional da saúde que possa indicar o tratamento adequado à situação.

É importante lembrar que a compulsão alimentar não é uma escolha pessoal para alívio dos problemas, mas sim um transtorno alimentar que precisa de tratamento e auxílio profissional.

Por que dietas restritivas podem levar à compulsão alimentar?

por que dietas restritivas podem levar a compulsão alimentar

Isso acontece porque a contínua restrição dos alimentos preferidos gera ansiedade e sentimento de compensação quando a dieta acaba.

Ou seja, assim que a pessoa perde os quilos desejados, recompensa se permitindo comer àqueles alimentos que mais sentiu falta.

Entretanto, esse ciclo sendo repetido diversas vezes prejudica a sensação natural de saciedade do indivíduo, que passa a desenvolver a compulsão.

Consequências da compulsão alimentar

Se não tratada, a compulsão alimentar pode levar à obesidade, diabetes, problemas cardíacos ou outras doenças de ordem nutricional, principalmente porque os indivíduos portadores da compulsão tendem a ser pessoas sedentárias ou pouco ativas fisicamente, o que faz com que elas não queimem as calorias ingeridas em excesso.

Como nossas emoções afetam nossas escolhas alimentares

Comer está diretamente ligado a sensação de prazer. Culturalmente, nós brasileiros, assim como diversas outras culturas no mundo, temos o hábito de socializar entre amigos ingerindo geralmente comidas nada saudáveis.

Isso, somado ao momento de descontração estimula a compulsão involuntária, semelhante ao que ocorre quando comemos uma caixa de bombons ou bolachas em frente à televisão.

Emoções e memória sensorial

Logo cedo desenvolvemos nossa memória sensorial, ou seja, armazenamos em nosso cérebro sabores do que experimentamos.

Mas, não somente gravamos sabores, como também associamos uma memória afetiva àquele sabor. Por este motivo, algumas comidas nos fazem lembrar momentos como “almoço de domingo na vovó”. Essa memória sensorial é desenvolvida e a utilizamos em nosso dia-a-dia para fazer escolhas alimentares.

Emoções fortes como o estresse e a ansiedade causam um desequilíbrio hormonal no corpo e, para reestabelecer nosso equilíbrio, nosso corpo se utiliza dessa memória afetiva para estimular nossa vontade de se alimentar de determinados tipos alimentares.

Também vemos a interferência da emoção no comportamento alimentar quando falamos de pessoas com depressão ou que estão sofrendo com algum acontecimento específico. Muitas relatam a perda do prazer de se alimentar.

Estar em equilíbrio emocional é importante na hora das escolhas alimentares, inclusive nas compras do mercado. Assim, minimiza-se as chances de escolhas não-saudáveis.

Compulsão alimentar x ansiedade ao comer

Comer rápido é um dos sintomas que caracterizam a compulsão alimentar, entretanto somente isso não é suficiente para o diagnóstico.

Pessoas que apresentam ansiedade ao comer se alimentam depressa e, com isso, não dão tempo ao organismo para que ele possa interpretar corretamente a quantidade de comida ingerida. Consequentemente, a pessoa tende a comer mais do que o necessário.

Compulsão alimentar x fome psicológica

compulsão alimentar x fome psicológica

Quem nunca sentiu aquele desejo por uma determinada comida? Comeu diversas coisas no lugar, mas nada saciou enquanto não comeu o que realmente queria? Este é um exemplo típico de fome psicológica.

A fome psicológica pode ser dividida em três tipos principais:

  • Vontade, como no exemplo acima, a vontade aparece mesmo quando estamos saciados, e está associada a um alimento específico (você sabe exatamente o que quer).
  • Fome social, acontece nas comemorações, nos momentos em que compartilhamos com pessoas de que gostamos em volta da mesa, e comemos mesmo que sem estar de fato, com fome.
  • Fome emocional, é aquela em que utilizamos a comida como recompensa a alguma situação negativa, como um dia estressante. Nesses casos, é mais comum que o corpo sinta preferência por alimentos ricos em açúcar e gorduras, pois estes alimentos ativam zonas de prazer em nosso cérebro. Se não se atentar, pode virar uma compulsão alimentar.

A compulsão é diferente da fome psicológica, pois na segunda você tem mais controle sobre o ato de comer. Contudo, a fome psicológica pode ser um gatilho para a compulsão alimentar.

Compulsão alimentar x bulimia nervosa

A bulimia nervosa se assemelha muito à compulsão alimentar, isso porque seus sintomas incluem comer repetidamente grandes quantidades de comida num curto espaço de tempo.

Entretanto, pessoas bulímicas têm a necessidade de eliminar as calorias as quais acabou de ingerir, pois têm medo de engordar, e vomitam, ou fazem exercícios excessivos ou até fazem o uso de laxantes.

A bulimia nervosa é um transtorno alimentar onde a pessoa tem uma distorção da imagem do seu corpo, e se sente constantemente infeliz e envergonhada pelo peso que tem.

A Bulimia traz consequências muito mais graves, além de ser difícil de ser identificada, já o próprio indivíduo esconde seus sintomas das outras pessoas.

A compulsão alimentar pode se transformar em bulimia nervosa caso a pessoa tenha tendência para tal, por isso é importante identificar precocemente a compulsão alimentar e procurar o tratamento adequado.

Compulsão alimentar x síndrome alimentar noturna

A síndrome alimentar noturna é um distúrbio do sono, onde a pessoa tem hábitos alimentares normais durante o dia, mas, à noite, aproximadamente duas horas depois de adormecida, ela desperta e vai comer alguma coisa. Existe uma preferência de consumo de alimentos ricos em carboidratos simples e gordura nesses períodos.

A síndrome alimentar noturna não é compulsão alimentar, pois o indivíduo não ingere uma quantidade excessiva de alimentos e, em alguns casos, ele nem tem consciência durante o episódio.

Tratamento para compulsão alimentar

O tratamento da Compulsão Alimentar é baseado em um acompanhamento de uma equipe multidisciplinar formada por nutricionista, psicólogo e/ou psiquiatra, que em conjunto identificarão a causa da compulsão alimentar e trabalharão a reeducação alimentar e a relação do indivíduo com a alimentação.

Existem remédios que controlam a compulsão alimentar?

Existem alguns fitoterápicos que inibem a vontade de ingerir doces, outros que ajudam no controle da ansiedade, no entanto o tratamento para o transtorno alimentar compulsivo é feito com profissionais e englobam aspectos multifatoriais.

Jamais deve-se consumir de remédios para perda de apetite, inibição da vontade de doces sem o acompanhamento médico.

Já ouviu falar do mindful eating?

já ouvir falar do mindful eating

Termo que está se tornando conhecido, o mindful eating, que não é uma dieta, e sim uma prática que se originou de uma prática para alívio do estresse, mas que foi adaptada por nutricionistas como uma abordagem da reeducação alimentar.

Mindful eating significa “comer com atenção plena”, ou seja, deixar aguçado todos os seus sentidos durante o processo de se alimentar, que começa quando estamos escolhendo o que iremos comer.

O objetivo principal do mindful eating é tornar as pessoas mais conscientes de seus hábitos alimentares e de combater a ansiedade durante as refeições. E, por isso, é recomendado para pessoas que possuem compulsão alimentar.

É importante procurar um profissional que oriente a prática, entretanto alguns conceitos já podem ser adotados por qualquer pessoa, como: comprar e cozinhar seu próprio alimento, comer junto a pessoas de que gosta, agradecer pelo alimento e pela companhia das pessoas.

Não ter distrações, como a televisão, no ambiente onde se faz as refeições, e principalmente: comer devagar, saboreando cada um dos componentes do prato e identificando as texturas e sensações que ele traz para você.

Conclusão

Compulsão alimentar é diferente do exagero dos fins de semana. Ela envolve aspectos psicossociais que não conseguem ser facilmente superados, sendo necessário um acompanhamento profissional.

Exemplificamos várias situações que podem ser confundidas com a compulsão alimentar, mas apesar de não serem, todas precisam de tratamento e acompanhamento profissional.

Se você conhece alguma pessoa que sempre reclama que perde o controle quando está comente, que se serve a primeira vez, e repetem várias vezes, pois não consegue parar de comer, converse com ele para procurar um profissional capacitado que possa ajuda-la.

Comer com atenção e calma é importante para nosso organismo realizar uma boa digestão e identificar quando estamos realmente saciados. Por esse motivo, relaxar antes de fazer escolhas alimentares e refeições é uma técnica muito eficiente.


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