Alergias alimentares: o que são, quais os alimentos causadores e como tratar

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Alergias alimentares: o que são, quais os alimentos causadores e como tratar

25 de setembro de 2017
Luana Souza (CRN 3 - 27387)
Nutricionista

alergias alimentares

Alergias alimentares: tudo que você precisa saber sobre o tipo de resposta imunológica campeã em incidência.

Muitos indivíduos já podem ter passado pela seguinte situação: surgem manchinhas avermelhadas na pele após uma refeição e alguém logo fala “será que não é uma alergia a algo que você comeu?”.

As reações cutâneas são manifestações comuns nas alergias alimentares (AA), porém existe uma diversidade de sinais alérgicos que podem surgir, variando a severidade e o intervalo com que se manifestam.

Além de representar um sério risco à saúde, as alergias alimentares têm um impacto negativo na qualidade de vida das famílias afetadas, principalmente na infância, uma vez que existe o risco da anafilaxia, a reação mais grave que pode levar ao óbito.

Portanto, é bom ficar atento aos alimentos que podem desencadeá-las e saber o que fazer nos casos em que apareçam.

O que são alergias alimentares?

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Alergias alimentares são reações adversas desencadeadas por uma resposta imunológica que ocorre de forma reprodutível em certos indivíduos após consumo de determinado alimento.

É uma reação de hipersensibilidade, uma resposta exagerada a esses alimentos considerados alérgenos, os quais desencadeiam uma produção elevada de anticorpos, quando mediadas por Imunoglobulinas E (IgE), ou outros componentes do sistema imunológico.

Nesses indivíduos, elas aparecem após exposição a uma dose do alimento, normalmente pequena e tolerada pela maioria da população. Os sintomas podem ser imediatos ou surgir em até duas horas após a ingestão.

Sua incidência tem aumentado significativamente na última década em todo o mundo. As alergias alimentares apresentam uma incidência maior em crianças, atingindo cerca de 6 a 8% das crianças abaixo de 1 ano, porém também afetam adultos, com média de 3 a 4%.

No Brasil não existem pesquisas que revelem sua prevalência e, apesar do avanço no diagnóstico e tratamento, os mecanismos da doença ainda não estão totalmente esclarecidos, ou seja, não avançam no mesmo ritmo dos novos casos.

Como posso saber se tenho alergia alimentar?

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O diagnóstico preciso deve ser feito por um médico, pois exige a investigação detalhada da história clínica do indivíduo e uso de testes diagnósticos. Contudo, vale a pena saber identificar casos suspeitos para que sejam avaliados.

Existe uma variabilidade de sintomas que devem ser avaliados para não serem confundidos com outras reações adversas a alimentos, como a doença celíaca ou a intolerância à lactose, as quais serão discutidas além.

Fique atento aos sintomas relacionados e, caso apareçam, procure imediatamente um médico.

Existe uma idade específica para o aparecimento das alergias alimentares?

A predominância maior é na infância, mas uma parcela da população adulta também se torna alérgica, normalmente por alimentos diferentes dos comuns na idade infantil.

Na infância, a mais comuns é aquela reativa à proteína do leite de vaca, geralmente causada pela introdução precoce desse alimento.

Essa incidência parece estar relacionada à imaturidade da barreira mucosa intestinal do bebê e tende a desaparecer durante o crescimento infantil.

Já no adulto as AA tendem a ser permanentes e podem piorar com o tempo, sendo obrigatória a exclusão do alimento da dieta.

Estudos experimentais sugerem que a microbiota bacteriana tenha um papel importante no desenvolvimento das alergias, mas as conclusões ainda são incertas.

Existem maneiras de evitar as alergias alimentares?

Na infância o método mais eficaz de prevenir o aparecimento das alergias alimentares é com o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de idade e complementar até os 2 anos, evitando o uso de fórmulas infantis ou alimentos lácteos nos primeiros meses de vida.

A partir dos 6 meses é importante incluir gradativamente alimentos naturais e saudáveis, evitando ao máximo produtos industrializados e ultraprocessados.

No adulto não há prevenção, contudo, a partir do aparecimento dos sintomas e confirmação do diagnóstico, é importante restringir o alergênico para evitar os sintomas.

Principais sintomas das alergias alimentares

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Há uma ampla variedade de manifestações que podem afetar os sistemas cutâneo, gastrointestinais, respiratório e/ou cardiovascular, de forma isolada ou combinada.

Os efeitos cutâneos normalmente são dermatites atópicas, urticárias ou angioedema. Já os gastrointestinais agudos se apresentam como edema e prurido labial, na língua ou palato (céu da boca), bem como vômitos, diarreias ou dores abdominais.

As reações respiratórias podem ocasionar asma ou rinite, mais difíceis de darem o sinal de alerta para a suspeita de alergia alimentar, e pode haver diminuição da pressão arterial ou perda de consciência.

A severidade com que essas reações aparecem, bem como o intervalo com que se manifestam, são bem individuais e costumam aparecer alguns minutos após da ingestão alimentar, mas podem levar algumas horas para se manifestar.

O sintoma agudo mais grave e preocupante é a reação anafilática, que pode levar a óbito se não for tratada imediatamente.

Estimativas internacionais indicam que entre 30 a 50% dos casos de anafilaxia são causadas por alimentos, predominantemente em crianças.

Quais os principais alimentos que provocam alergias alimentares?

Mais de 170 alimentos já foram descritos como causadores de alergias alimentares e existem inúmeros fatores ambientais, como os hábitos alimentares e individuais, como genética e idade, que podem influenciar no seu desenvolvimento.

No entanto, existem alimentos reconhecidos como alergênicos de relevância para a saúde pública pelo Codex Alimentarius (organismo da FAO e da OMS), pois são responsáveis por cerca de 90% dos casos.

São oito principais: ovos, leite de vaca, peixes, crustáceos, castanhas, amendoim, trigo e soja.

Alergias ao leite, trigo e soja normalmente são reversíveis, principalmente na infância, porém aquelas a oleaginosas, peixes e frutos do mar costumam ser permanentes.

Existe uma parcela menor da população alérgica a corantes alimentares e conservantes, considerados casos raros.

Alergias alimentares: tratamento

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Baseia-se na retirada do alimento considerado alergênico, de maneira temporária na criança ou permanente no adulto.

O ideal é que o tratamento seja individualizado com orientações médicas ou de nutricionistas, uma vez que a restrição no consumo de certos alimentos é uma tarefa complexa.

Requer alterações de comportamento do indivíduo e família e compreensão sobre fontes alimentares, o que pode gerar um grande impacto socioeconômico.

Entre as estratégias adotadas pelos indivíduos e familiares estão:

  • A leitura cuidadosa e compreensão dos rótulos de alimentos embalados;
  • Preferência por produtos da mesma marca, que comumente utilizam mesmas fontes alimentares;
  • Contato telefônico com os fabricantes dos alimentos, se necessário;
  • Valorização de alimentos in natura, como frutas e hortaliças;
  • Busca por receitas e preparações adaptadas;
  • Rotina de consultas individuais ou grupos de apoio a alérgicos.

É essencial que as famílias tenham acesso à informação, as quais precisam estar corretas e claras.

A intolerância a lactose é considerada uma alergia alimentar?

Deve se dar atenção para não confundir as alergias alimentares, estritamente imunomediadas, com outras reações adversas.
ma resposta fisiológica anormal a um agente, não tendo relação com o sistema imunológico.

É um fenômeno comum em adultos e em alguns casos na infância, uma vez que a atividade da enzima lactase diminui após o desmame, afetando de 30 a 75% da população.

Indivíduos intolerantes costumam tolerar uma quantidade relativa do alimento, como 1 xícara de leite. Já os alérgicos ao leite podem desenvolver complicações graves ao consumirem uma quantidade mínima da bebida.

A confusão se dá pelos sintomas, uma vez que a lactose, não totalmente digerida, acaba fermentada pelas bactérias intestinais e causa dor, distensão abdominal, flatulência, diarreia, náusea, vômitos ou constipação.

Alguns desses sintomas são similares aos das alergias, portanto é importante consultar um médico ou nutricionista para correta investigação.

Até mesmo os profissionais de saúde podem ter dificuldades em diferenciar as duas situações, pois ambas são reações que aparecem após o consumo de alimentos lácteos. Portanto, é importante saber relatar corretamente os sintomas e consumo do alimento.

E a doença celíaca?

É uma doença autoimune inflamatória do intestino delgado que se manifesta em indivíduos susceptíveis geneticamente em decorrência da ingestão de glúten, e não é considerada propriamente uma alergia alimentar.

O glúten é uma proteína encontrada em cereais como o trigo, centeio, cevada e aveia. Acredita-se que indivíduos com essa doença possam tolerar pequenas quantidades de glúten na alimentação sem efeitos clínicos, já os alérgicos ao trigo podem ter reações adversas severas com quantidades bem inferiores.

A doença celíaca apresenta uma ampla variedade de manifestações clínicas, desde diarreia ou perda de peso até retardo no crescimento, osteoporose e deficiência de ferro.

Importância da leitura dos rótulos

importância da leitura dos rótulos

Uma vez que a restrição do consumo de alimentos alergênicos é a única alternativa disponível para prevenir o aparecimento das complicações, o acesso a informações adequadas sobre a presença desses constituintes nos alimentos é essencial para proteger a saúde de indivíduos com alergia alimentar.

No caso dos alimentos embalados, a rotulagem é a principal via de comunicação pelo qual os fabricantes podem informar os consumidores sobre os ingredientes do produto e se há a presença de alergênicos.

Legislação que regulamenta a rotulagem sobre alimentos alergênicos

Os requisitos para rotulagem obrigatória foram estabelecidos pela Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) n° 26 de 2 de julho de 2015, a qual estabeleceu o prazo de 12 meses para adequações das empresas.

Ela se aplica aos alimentos, incluindo as bebidas, ingredientes, aditivos alimentares e coadjuvantes de tecnologia embalados na ausência dos consumidores, inclusive aqueles destinados exclusivamente ao processamento industrial ou aos serviços de alimentação.

Os alimentos obrigatórios são: trigo, centeio, cevada, aveia e suas estirpes hibridizadas; crustáceos; ovos; peixes; amendoim; soja; leites de todas as espécies de animais mamíferos; amêndoa; avelãs; castanha-de-caju; castanha-do-brasil ou castanha-do-pará; macadâmias; nozes; pecãs; pistaches; pinoli; castanhas e látex natural.

Produtos que os contenham ou seus derivados devem trazer a declaração “Alérgicos: Contém (nomes comuns dos alimentos que causam AA)“, “Alérgicos: Contém derivados de (nomes)” ou “Alérgicos: Contém (nomes) e derivados“, conforme o caso.

No caso dos crustáceos, a declaração deve incluir o nome comum das espécies da seguinte forma: “Alérgicos: Contém crustáceos (nomes comuns das espécies)“, ou, da mesma maneira que na declaração anterior, citar os derivados caso existam.

Para melhor visualização, os caracteres devem ser em caixa alta, negrito, em cor contrastante com o fundo do rótulo, e em altura mínima de 2 mm e nunca inferior à altura de letra utilizada na lista de ingredientes.

Além do mais, não podem estar em locais encobertos, removíveis pela abertura do lacre ou de difícil visualização, como áreas de selagem e de torção.

Para efeito dessa legislação, alimentos alergênicos serão aqueles com o ingrediente íntegro, como leite, ovos, soja ou castanha e derivados serão aqueles provenientes desses alimentos. Fique atento aos seguintes nomes:

  • Derivados de trigo: farelos, farinhas, maltes e gérmen de trigo; glúten; dextrose; maltodextrina; destilados alcoólicos; amidos modificados.
  • Derivados de leite: manteiga; queijos; iogurtes; leite em pó; creme de leite; proteínas do soro do leite; caseína; lactoalbumina; lactoglobulina; caseinatos; lactitol; lactose; ácido lático.
  • Derivados de ovos: albumina; clara de ovo em pó; gema em pó; globulina; lisozima; ovalbumina; lecitina de ovo.
  • Derivados de soja: farinha, extrato, óleo e proteínas de soja; tofu; albumina; lecitina de soja; tocoferóis; fitoesteróis.

Vamos dar um exemplo da embalagem de um requeijão, que tem em sua lista de ingredientes: leite desnatado, concentrado proteico do soro de leite, manteiga, gordura vegetal hidrogenada, amido, maltodextrina, sal, fermento lácteo, aromatizante, conservadores ácido sórbico e nisina.

O produto tem adição de um alimento alergênico (leite desnatado) e seus derivados (concentrado proteico do soro de leite e manteiga).

Além disso, a gordura vegetal hidrogenada, o amido e a maltodextrina podem ser derivados de alimentos alergênicos (soja e trigo). Se esse fosse o caso, o produto deveria conter a advertência: ALÉRGICOS: CONTÉM LEITE E DERIVADOS E DERIVADOS DE SOJA E TRIGO.

Essa lei também vale para casos de possíveis contaminações cruzadas, em que o produto não tem adição intencional de determinado alimento alergênico ou seus derivados, mas pode apresentar traços desse alimento como consequência da presença incidental durante alguma etapa da sua fabricação (da produção até a embalagem e comércio).

Nesses casos, a frase de advertência deve ser a seguinte: “Alérgicos: Pode conter (nomes)“.

A lactose não se encaixa nessa RDC por não ser considerada um alergênico, porém existem duas resoluções da ANVISA, a RDC 135/2017 e a RDC 136/2017, que obrigam a declaração de sua presença nos rótulos de alimentos com mais de 100mg de lactose para cada 100g ou ml do produto, com adequações até 2019.

Conclusão

Alergias alimentares são reações do sistema imunológico que acontecem em alguns indivíduos ao consumirem alimentos normalmente tolerados pela maioria da população, causando uma série de sintomas importantes, os quais podem agravar para o choque anafilático.

Os alimentos que tem relação com seu aparecimento precisam ser retirados, temporariamente ou permanentemente, da dieta e são basicamente oito: ovos, leite de vaca, peixes, crustáceos, castanhas, amendoim, trigo e soja.

Existe uma legislação específica que impõe regras de rotulagem para produtos que contenham esses alimentos ou seus derivados, o que auxilia o indivíduo alérgico e sua família a ter mais certeza do que está consumindo e domínio nas escolhas alimentares.

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  • Camila Buonacorso

    Olá, passei minha bebê de 03 meses em consulta com uma gastro pediatra e nutróloga, que nos pediu uma bateria de exames. Os resultados foram normais, mas ela explicou que existem 4 tipos de alergias alimentares e que apenas 1 é detectada no hemograma. Isso é correto? Minha filha tem baixo ganho de peso e fezes explosivas e a médica está relacionando isso a uma APLV.

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